domingo, 24 de julho de 2016

Nosso Lar

Introdução

Os prefácios, em geral, apresentam autores, exaltando-lhes o mérito e comentando-lhes a personalidade.
Aqui, porém, a situação é diferente.
Embalde os companheiros encarnados procurariam o médico André Luiz nos catálogos da convenção.
Por vezes, o anonimato é filho do legítimo entendimento e do verdadeiro amor. Para redimirmos o passado escabroso, modificam-se tabelas da nomenclatura usual na reencarnação. Funciona o esquecimento temporário como bênção da Divina Misericórdia. André precisou, igualmente, cerrar a cortina sobre si mesmo.
É por isso que não podemos apresentar o médico terrestre e autor humano, mas sim o novo amigo e irmão na eternidade.
Por trazer valiosas impressões aos companheiros do mundo, necessitou despojar-se de todas as convenções, inclusive a do próprio nome, para não ferir corações amados, envolvidos ainda nos velhos mantos da ilusão. Os que colhem as espigas maduras, não devem ofender os que plantam a distância, nem perturbar a lavoura verde, ainda em flor.
Reconhecemos que este livro não é único. Outras entidades já comentaram as condições da vida, além-túmulo...
Entretanto, de há muito desejamos trazer ao nosso círculo espiritual alguém que possa transmitir a outrem o valor da experiência própria, com todos os detalhes possíveis à legítima compreensão da ordem que preside o esforço dos desencarnados laboriosos e bem-intencionados, nas esferas invisíveis ao olhar humano, embora intimamente ligadas ao planeta.
Certamente que numerosos amigos sorrirão ao contacto de determinadas passagens das narrativas. O inabitual, entretanto, causa surpresa em todos os tempos. Quem não sorriria, na Terra, anos atrás, quando se lhe falasse da aviação, da eletricidade, da radiofonia?
A surpresa, a perplexidade e a dúvida são de todos os aprendizes que ainda não passaram pela lição. É mais que natural, é justíssimo. Não comentaríamos, desse modo, qualquer impressão alheia. Todo leitor precisa analisar o que lê.
Reportamo-nos, pois, tão-somente ao objetivo essencial do trabalho.
O Espiritismo ganha expressão numérica. Milhares de criaturas interessam-se pelos seus trabalhos, modalidades, experiências. Nesse campo imenso de novidades, todavia, não deve o homem descurar de si mesmo.
Não basta investigar fenômenos, aderir verbalmente, melhorar a estatística, doutrinar consciências alheias, fazer proselitismo e conquistar favores da opinião, por mais respeitável que seja, no plano físico. É indispensável cogitar do conhecimento de nossos infinitos potenciais, aplicando-os, por nossa vez, nos serviços do bem.
O homem terrestre não é um deserdado. É filho de Deus, em trabalho construtivo, envergando a roupagem da carne; aluno de escola benemérita, onde precisa aprender a elevar-se. A luta humana é a sua oportunidade, a sua ferramenta, o seu livro.
O intercâmbio com o invisível é um movimento sagrado, em função restauradora do Cristianismo puro; que ninguém, todavia, se descuide das necessidades próprias, no lugar que ocupa pela vontade do Senhor.
André Luiz vem contar a você, leitor amigo, que a maior surpresa da morte carnal é a de nos colocar face a face com a própria consciência, onde edificamos o céu, estacionamos no purgatório ou nos precipitamos no abismo infernal; vem lembrar que a Terra é oficina sagrada e que ninguém a menosprezará, sem conhecer o preço do terrível engano a que submeteu o próprio coração.
Guarde a experiência dele no livro d'alma. Ela diz bem alto que não basta à criatura apegar-se à existência humana, mas precisa saber aproveitá-la dignamente; que os passos do cristão, em qualquer escola religiosa, devem dirigir-se verdadeiramente ao Cristo, e que, em nosso campo doutrinário, precisamos, em verdade, do “Espiritismo” e do “Espiritualismo”, mas, muito mais, de “Espiritualidade”.

Emmanuel

Links Doutrinários: 

Funciona o esquecimento temporário como bênção da Divina Misericórdia.

Livro dos Espíritos:
392. Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado?
“Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado ele é mais senhor de si.”

393. Como pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas de que se não lembra? Como pode aproveitar da experiência de vidas de que se esqueceu?
Concebe-se que as tribulações da existência lhe servissem de lição, se se recordasse do que as tenha podido ocasionar. Desde que, porém, disso não se recorda, cada existência é, para ele, como se fosse a primeira e eis que então está sempre a recomeçar. Como conciliar isto com a justiça de Deus?

“Em cada nova existência, o homem dispõe de mais inteligência e melhor pode distinguir o bem do mal. Onde o seu mérito se se lembrasse de todo o passado? Quando o Espírito volta à vida anterior (a vida espírita), diante dos olhos se lhe estende toda a sua vida pretérita. Vê as faltas que cometeu e que deram causa ao seu sofrer, assim como de que modo as teria evitado. Reconhece justa a situação em que se acha e busca então uma existência capaz de reparar a que vem de transcorrer.  Escolhe provas análogas às de que não soube aproveitar, ou as lutas que considere apropriadas ao seu adiantamento e pede a Espíritos que lhe são superiores que o ajudem na nova empresa que sobre si toma, ciente de que o Espírito, que lhe for dado por guia nessa outra existência, se esforçará pelo levar a reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das em que incorreu.

Tendes essa intuição no pensamento, no desejo criminoso que freqüentemente vos assalta e a  que instintivamente resistis, atribuindo, as mais das vezes, essa resistência aos princípios que recebestes de vossos pais, quando é a voz da consciência que vos fala. Essa voz, que é a lembrança do passado, vos adverte para não recairdes nas faltas de que já vos fizestes culpados. Em a nova existência, se sofre com coragem aquelas provas e resiste, o Espírito se eleva e ascende na hierarquia dos Espíritos, ao voltar para o meio deles.”

Não temos, é certo, durante a vida corpórea, lembrança exata do que fomos e do que fizemos em anteriores existências; mas temos de tudo isso a intuição, sendo as nossas tendências  instintivas uma reminiscência do passado. E a nossa consciência, que é o desejo que experimentamos de não reincidir nas faltas já cometidas, nos concita à resistência àqueles pendores.




Estudo da obra de André Luiz

Primeira obra: Nosso Lar

Título: "Nosso Lar" - (50 capítulos - 281 páginas)
Autor: Espírito André Luiz 
Psicografia: Francisco Cândido Xavier (concluída em 1943)
Edição: Primeira edição em 1944, pela Federação Espírita Brasileira (Rio de Janeiro/RJ). 

Prefácio: Espírito Emmanuel.

Vou iniciar um aprofundamento da obra de André Luiz. Nosso Lar é o portão de entrada para muitos interessados na Doutrina Espírita.

Muito mais que um simples romance, o mesmo está carregado de oportunidades de estudo e aprofundamento, o qual desejo iniciar.

Aos interessados, meu estímulo de que nos acompanhem e, se possível, colaborem.

Abraços

Lucilius

segunda-feira, 7 de abril de 2014



Ajudar ao próximo, curar a si mesmo!

A vida moderna, rica de divertimentos e pobre de espiritualidade, arrasta o homem para o exterior, para os jogos dos sentidos, em detrimento da harmonia em que lhe deve constituir a base para quaisquer outras realizações, sem a qual ruem todas as suas construções, sempre efêmeras.  Sucessivas ondas de alucinados são jogados  nas praias do mundo, logo seguidas pelos deprimidos , ociosos, insatisfeitos, como a denunciar a falência dos valores éticos e morais ( Joana D’Angelis/Divaldo).
Há 160 anos a Doutrina Espírita surgiu para o mundo, com a publicação de O Livro dos Espíritos, composta por 501 questões. Sem dúvida nenhuma, um dos objetivos macros desta obra é opor-se ao materialismo, então aliado e implantado na necessária expansão do pensamento científico e tecnológico.
Mas, como estamos agora...
Nas grandes calamidades, a caridade se emociona e observam-se impulsos  generosos, no sentido de reparar os desastres. Nesse momento, várias nações são fustigadas por grandes tragédias. Chile, Argentina, Rio Grande do Sul. Estados Unidos, Caribe.
Mas, a par desses desastres gerais, há milhares de desastres particulares, que passam despercebidos: os dos que jazem sobre um catre sem se queixarem.
Esses infortúnios discretos e ocultos são os que a verdadeira generosidade sabe descobrir sem esperar que peçam assistência.
 Nesse texto ,do Capítulo XIII, item 4 do ESE, o Codificador aborda, em breves palavras uma situação que se repete indefinidamente neste mundo de expiações e de provas.
Essas tragédias despertam solidariedade. Diz nos um texto de Richard Simonetti

"Mas, paradoxalmente, há nas cidades brasileiras, tsunamis ocultos nas favelas, em casebres miseráveis, feitos de caixote, sem água encanada, sem esgoto, sem luz, à distância da mais elementar urbanização.
Ali padecem multidões de flagelados que carecem de alimentos, agasalhos, remédios.
Todos temos noção dessas tragédias humanas. O problema é que conseguimos conviver com elas sem maiores constrangimentos.
Não percebemos, não reconhecemos, não assumimos que é preciso fazer algo em favor desses nossos irmãos.
Não eventualmente, mas permanentemente.
Não de vez em quando, mas de vez em sempre.
Não em alguns dias, mas diariamente.
Fazer até que não haja crianças a alimentar, doentes a socorrer, nus a se vestirem...
Fazer até que a legítima solidariedade instale na Terra uma sociedade cristã, onde o cada um por si  e o resto que se dane seja substituído pelo um por todos e todos por um."

Quem é aquela mulher de ar distinto, de traje tão simples, embora bem cuidado, e que traz em sua companhia uma mocinha tão modestamente  vestida? Entra numa casa de sórdida aparência, onde sem dúvida é conhecida,  pois que à entrada a saúdam respeitosamente. Onde vai ela? Sobe a mansarda, onde jaz uma mãe de família cercada de crianças. À sua chegada refulge a alegria naquele rostos emagrecidos. É que ela vai acalmar ali todas as dores. 

Ainda Richard Simonetti:

"Falamos muito, no meio espírita, da promoção do nosso planeta em mundo de expiação e provas para mundo de regeneração, onde o altruísmo prevaleça sobre o egoísmo, sob a inspiração do Amor, ensinado por Jesus.
Será ótimo! O problema é que as pessoas esperam que isso aconteça por decreto Divino, assim exposto:
1-A miséria está banida da Terra.
2-Vivam os homens como irmãos
Não compreendem que é preciso que vivamos com irmãos para que a miséria seja banida da Terra."

Traz o de que necessitam, condimentado de meigas e consoladoras palavras, que fazem que os seus protegidos, que não são profissionais da mendicância, aceitem o benefício, sem corar. O pai está no hospital e, enquanto lá permanece, a mãe não consegue com o seu trabalho prover as necessidades da família. Graças à boa senhora, aquelas pobres crianças não mais sentirão frio, nem fome; irão à escola agasalhadas e, para as menorzinhas, o leite não secará no seio que as amamenta. Se entre elas alguma adoece, não lhe repugnarão a ela, à boa dama, os cuidados materiais de que essa necessite.

Uma vez Richard Simonetti foi questionado sobre se o empenho em atender os carentes e erradicar a miséria não seria responsabilidade do governo.

Sem dúvida. Isso tem sido feito. Nos últimos 10 anos, podemos notar expressiva mudança na linha da miséria, especialmente no Brasil.
750 000 famílias com renda per capita entre 70 e 140 serão acrescentadas aos programas de auxílio do Governo Federal.
FGV calcula necessário 21 bilhões/ano para erradicação total da pobreza.
Mas, ainda é insuficiente. Não basta somente o governo. Mesmo que este fosse suficiente, é preciso ainda nosso concurso.
Se entre elas alguma adoece, não lhe repugnarão a ela, à boa dama, os cuidados materiais de que essa necessite. Dali vai ao hospital levar ao pai algum reconforto e tranqüilizá-lo sobre a sorte da família.



Não lhes pergunta qual a crença que professam, nem quais suas opiniões, pois considera como seus irmãos e filhos de Deus todos os homens. Terminado o seu giro, diz de si para consigo: Comecei bem o meu dia. Qual o seu nome? Onde mora? Ninguém o sabe. Para os infelizes, é um nome que nada



indica; mas é o anjo da consolação




É preciso consideramos não somente as carência materiais, mas também as espirituais.  Em todos os setores de atividade, seja no lar, na rua , no local de trabalho, na vida social, no núcleo religioso, há sempre espaço para um gesto de amizade,  uma demonstração de solidariedade...
Há uma poesia, de Raimundo Correia, Mal Secreto:
Se a cólera que espuma, a dor que mora N’alma e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo  o que devora
O Coração, no rosto estampasse;
Se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora,
Nos Causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa.

Pessimismo gera pessimismo. Preocupação gera doença. Que entorpece, que agride, que nos impossibilita de vivermos nossas vidas.  Em 2003, doenças crônicas, como câncer, diabetes, hepatite, etc. atingiam 29% da população.

Hoje em dia há dados suficientes para podermos afirmar que as emoções positivas potencializam a saúde, enquanto as emoções negativas tendem a comprometê-la. Por exemplo, em períodos de estresse, quando as pessoas desenvolvem muitas reações emocionais negativas, é mais provável que surjam certas doenças relacionadas com o sistema imunológico, como por exemplo, a gripe, herpes, diarréias, ou outras infecções ocasionadas por vírus oportunistas. Em contra partida, o bom humor, o riso, a felicidade, ajudam a manter e/ou recuperar a saúde (veja Bom Humor e Saúde, na seção Psicossomática).

Joana, fala que Quando a mente elabora conflitos, ressentimentos, ódios que se prolongam, os dardos reagentes, disparados desatrelam as células dos seus automatismos, degeneram, dando origem a tumores de vários tipos, especialmente cancerígenos, em razão da carga mortífera de energia que as agride.

Outras vezes, os anseios insatisfeitos dos sentimentos convergem como força destruidoras para chamar a atenção nas pessoas que preferem inspirar compaixão, esfacelando a organização celular e a respectiva mitose, facultando o surgimento de focos infecciosos resistentes a toda terapêutica, por permanecer o centro desencadeador do processo vibrando negativamente contra a saúde.

Vinganças disfarçadas voltam-se contra o organismo físico e mental daquele que as acalenta, produzindo úlceras cruéis e distonias emocionais perniciosas, que empurram o ser para estados desoladores, nos quais se refugia inconscientemente satisfeito, embora os protestos externos de perseguir sem êxito o bem-estar, o equilíbrio.

Então é preciso prevenir. É preciso nos movimentar. E o movimento é em direção ao próximo. 

Jesus ensina: Fora da caridade não há salvação!


sábado, 8 de setembro de 2012


Raios, Ondas, Médiuns, Mentes...

Emmanuel abre esta obra interessantíssima, dando-nos um panorama a respeito das “descobertas” da ciência em relação à matéria e sua formação.

Cita as pesquisas de Dalton e a teoria corpuscular da matéria como uma nova fase de investigação trazendo importantes esclarecimentos e, mergulhando cada vez mais na intimidade dos elementos materiais.

Chegamos às radiações e, a partir daí, encontramos a Terra mergulhada em um oceano de ondas e raios, correntes e vibrações.

Uma citação importante de Emmanuel dá conta de que  “Cada corpo tangível é transformado em energia, e esta desaparece para dar lugar à matéria.”

Também faz uma “provocação”, identificando em cada cientista um sacerdote do Espírito e  cada laboratório como templos em que a inteligência é concitada ao serviço de Deus.

Todo o movimento científico, ao longo de sua história e suas descobertas derroca no espírito, finalizando que a este o futuro pertence.

A partir dai, Emmanuel destaca a importância do intercâmbio entre os planos material e espiritual. Traz-nos a informação de que “na grande romagem, todos somos instrumentos das forças com as quais estamos em sintonia. Todos somos médiuns, dentro do campo mental que nos é próprio, associando-nos às energias edificantes, se o nosso pensamento flui na direção da vida primitivista ou torturada.”.

Avança mais ainda ao dizer que “Cada criatura com os sentimentos emite raios específicos e vive na onda espiritual com que se identifica.”

Concluindo para o fato de que “o que destacamos por mais alto em suas páginas é a necessidade do Cristo no coração e na consciência, para que não estejamos desorientados ao toque dos fenômenos. Sem noção de responsabilidade, sem devoção à prática do bem, sem amor ao estudo e sem esforço perseverante em nosso próprio burilamento moral, é impraticável a peregrinação libertadora para os Cimos da Vida.”

Finalmente, apoiando-se em André Luiz, define:

Cada médium com a sua mente.
Cada mente com os seus raios, personalizando observações e interpretações.
E, conforme os raios que arremessamos, erguer-se-nos-a o domicílio espiritual
na onda de pensamentos a que nossas almas se afeiçoam.

Isso, em boa síntese, equivale ainda a repetir com Jesus:

- A cada qual segundo suas obras.
Estudo do livro Nos Domínios da Mediunidade, de André Luiz /Chico

Como complemento aos estudos do ESDE, na turma em que sou responsável, abordaremos o livro Nos Domínios da Mediunidade.

Nestes próximos posts, colocarei um resumo comentado de cada capítulo, de forma a oferecer aos integrantes da turma e ao público em geral, interessado na Doutrina Espírita, o acesso a esta obra magnífica, por nos trazer informações sobre os bastidores de uma reunião mediúnica, do ponto de vista do plano espiritual, bem como desenvolver em nós, e aos grupos mediúnicos em geral, a noção da complexidade e da responsabilidade que é uma reunião mediúnica.

Aproveitem, comente, participem.

Lucilius

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pé na estrada do ESDE, novamente

Iniciamos, nesse sábado último, as aulas do Esde, no Portal da Luz.

Desta vez divido a turma com o Marcelo. E o  tema da aula é muito interessante: Contexto Histórico da Europa no século XIX.

 

O material que veiculamos em sala poderá ser visto no blog HTTP://portalfundamental1.blogspot.com.

 

 

É ver e conferir...

 

 

 

terça-feira, 31 de março de 2009

NDM-Capítulo 7

Capítulo 7 - Socorro Espiritual

1-Sob a influência de Clementino, que o envolvia inteiramente, Silva levantara-se e dirigia-se ao co¬municante com bondade...

2-Ainda mesmo descontando o valioso concurso do mentor que o acompanhava, Raul emitia de si mesmo sincera compaixão de mistura com inequí¬voco interesse paternal.

3-Talvez por essa razão o obsessor a seu turno se revelava menos agastadiço.

4-Ante o argumento enunciado com sinceridade e simpleza, o renitente sofredor pareceu apaziguar-se ainda mais. Jactos de energia mental, partidos de Silva, alcançavam-no agora em cheio, no tórax, como a lhe buscarem o coração.

5-Essas três palavras foram pronunciadas com tamanha inflexão de generosidade fraternal que o hóspede não pôde sopitar o pranto que lhe subia do âmago.
Raul avançou para ele, impondo-lhe as mãos, das quais jorrava luminoso fluxo magnético, e con¬vidou:— Vamos orar!

6-Via-se, porém, com clareza, que não eram as palavras a força que o convencia, mas sim o sen¬timento irradiante com que eram estruturadas.

7-O irmão Clementino fez breve sinal a um dos assessores de nosso plano, que apressadamente acorreu, trazendo interessante peça que me pare¬ceu uma tela de gaze tenuíssima, com dispositivos especiais, medindo por inteiro um metro quadrado, aproximadamente.
O mentor espiritual da reunião manobrou pe¬quena chave num dos ângulos do aparelho e o tecido suave se cobriu de leve massa fluídica, bran¬quicenta e vibrátil.
Em seguida, postou-se novamente ao pé de Silva, que, controlado por ele, disse ao comunicante:

8-De imediato, como se tivesse a atenção com¬pulsoriamente atraída para a tela, o visitante fixou-a e, desde esse momento, vimos com assombro que o retângulo sensibilizado exibia variadas cenas de que o próprio Libório era o principal protago¬nista. Recebendo-as mentalmente, Raul Silva pas¬sou a descrevê-las:

9-Tão grande lhe surgiu a crise emotiva que o mentor espiritual do grupo se apressou a desligá-lo do equipamento mediúnico, entregando-o aos vigi¬lantes para que fosse conveniententente abrigado em organização próxima.

10-Que função desempenhava aquele retângulo que eu ainda não conhecia? que cenas eram aquelas que se haviam desdobrado céleres sob a nossa admiração?

11— Aquele aparelho — informou Áulus, gentil — é um “condensador ectoplásmico”. Tem a pro¬priedade de concentrar em si os raios de força projetados pelos componentes da reunião, reproduzindo as imagens que fluem do pensamento da entidade comunicante, não só para a nossa obser¬vação, mas também para a análise do doutrinador, que as recebe em seu campo intuitivo, agora auxi¬liado pelas energias magnéticas do nosso plano.

12-... precisamos concluir que o êxito do trabalho depende da colabo¬ração de todos os componentes do grupo...

13...as energias ectoplásmicas são fornecidas pelo conjunto dos companheiros encarnados, em favor de irmãos que ainda se encontram semimaterializa¬dos nas faixas vibratórias da experiência física.

14-...Pessoas que exteriorizem sentimentos menos dig¬nos, equivalentes a princípios envenenados nasci¬dos das viciações de variada espécie, perturbam enormemente as atividades dessa natureza, porquanto arrojam no condensador as sombras de que se fazem veículo, prejudicando a eficiência da as¬sembléia e impedindo a visão perfeita da tela por parte da entidade necessitada de compreensão e de luz.

terça-feira, 24 de março de 2009

NDM-Capítulo 6

1-Três guardas espirituais entraram na sala, conduzindo infeliz irmão ao socorro do grupo.
2-Era infortunado solteirão desencarnado que não guardava consciência da própria situação.
3-passou a vampirizar-lhe o corpo. A perda do veículo físico, ... deixou-o integralmente desarvorado, ... adaptando-se ao organismo da mulher amada que passou a obsidiar, nela encontrou novo instrumento de sensação, vendo por seus olhos, ouvindo por seus ouvidos, muitas vezes falando por sua boca e vitalizando-se com os ali¬mentos comuns por ela utilizados.... Para que se cure das fobias que presentemente a assaltam como reflexos da mente dele, ...é necessário o afastamento dos fluidos que a envolvem, assim como a coluna, abalada pelo abraço constringente da hera...
4- apli¬cou-lhe forças magnéticas sobre o córtex cerebral, depois de arrojar vários feixes de raios luminosos sobre extensa região da glote.
5-Eugênia-alma afastou-se do cor¬po, mantendo-se junto dele, a distância de alguns centímetros, enquanto que, amparado pelos amigos que o assistiam, o visitante sentava-se rente, inclinando-se sobre o equipamento mediúnico ao qual se justapunha, à maneira de alguém a debruçar-se numa janela.
6-Observei que leves fios brilhantes ligavam a fronte de Eugênia, desligada do veículo físico, ao cérebro da entidade comunicante.
7— É o fenômeno da psicofonia consciente ou trabalho dos médiuns falantes.
8 o hóspede enfermo do nosso plano permanece controlado por ela, a quem se imana pela corrente nervosa,
9-apossa-se ele temporariamente do órgão vocal de nossa amiga, apropriando-se de seu mundo sensó¬rio, conseguindo enxergar, ouvir e raciocinar com algum equilíbrio, por intermédio das energias dela, mas Eugênia comanda, firme, as rédeas da pró¬pria vontade,
10. Nas sessões de caridade, qual a que presenciamos, o primeiro socorrista é o médium que o recebe
11 o médium nunca se mantém a longa distância do corpo...
12— Se preciso, nossa amiga poderá retomar o próprio corpo num átimo. Acham-se ambos num consórcio momentâneo, em que o comunicante é a ação, mas no qual a médium personifica a vontade. Em todos os campos de trabalho, é natural que o superior seja responsável pela direção do inferior.
13-Vimos que Eugênia, fora do veículo denso, escutava todas as palavras que lhe fluíam da boca, transitoriamente ocupada pelo peregrino das som¬bras, arquivando-as, de maneira automática, no centro da memória.
14— O sofredor — disse o Assistente, convicto —, ao contato das forças nervosas da médium, revive os próprios sentidos e deslumbra-se. Queixa-se das cadeias que o prendem, cadeias essas que em cinqüenta por cem decorrem da contenção cautelosa de Eugênia.
15-— Um médium passivo, em tais circunstâncias, pode ser comparado à mesa de serviço cirúrgico, retendo o enfermo necessitado de concurso médico. Se o móvel especializado não possuísse firmeza e humildade, qualquer intervenção seria de todo impossível.
16— No caso de Eugênia, isso não acontece —elucidou Áulus, condescendente —, porque o esforço dela na preservação das próprias energias e o interesse na prestação de auxílio com todo o coeficiente de suas possibilidades não lhe permitem a necessária concentração mental para surpreender-lhe a forma exterior. Entretanto, reproduzem-se nela as aflições e os achaques do socorrido. Sen¬te-lhe a dor e a excitação, registrando-lhe o sofri¬mento e o mal-estar.
17— Mas... e se a dúvida a invadisse? —, emitiria da própria mente positiva recusa, expulsando o co¬municante e anulando preciosa oportunidade de serviço. A dúvida, nesse caso, seria congelante faixa de forças negativas...

NDM-Capítulo 5

1-Foquei os companheiros encarnados em concentração mental, identificando-os sob aspecto diferente.
Dessa vez, os veículos físicos apareciam quais se fossem correntes electromagnéticas em elevada tensão.
2-O sistema nervoso, os núcleos glandulares e os plexos emitiam luminescência particular. E, justapondo-se ao cérebro, a mente surgia como esfera de luz característica, oferecendo em cada companheiro determinado potencial de radiação.
3-Em qualquer estudo mediúnico, não podemos esquecer que a individualidade espiritual, na carne, mora na cidadela atômica do corpo, formado por recursos tomados de empréstimo ao ambiente do mundo. Sangue, encéfalo, nervos, ossos, pele e músculos representam materiais que se aglutinam entre si para a manifestação transitória da alma, na Terra, constituindo-lhe vestimenta temporária, segundo as condições em que a mente se acha.
4-O benfeitor espiritual que ora nos dirige, afigura-se-nos mais pesado porque amorteceu o elevado tom vibratório em que respira habitualmente, descendo à posição de Raul, tanto quanto lhe é possível, para benefício do trabalho começante. Influencia agora a vida cerebral do condutor da casa, à maneira dum musicista emérito manobrando, respeitoso, um violino de alto valor, do qual conhece a firmeza e a harmonia.
5-Notamos que a cabeça venerável de Clementino passou a emitir raios fulgurantes, ao mesmo tempo que o cérebro de Silva, sob os dedos do benfeitor, se nimbava de luminosidade intensa, embora diversa.
O mentor desencarnado levantou a voz como¬vente, suplicando a Bênção Divina com expressões que nos eram familiares, expressões essas que Silva transmitiu igualmente em alta voz, imprimindo-lhes diminutas variações.
6-Fios de luz brilhante ligavam os componentes da mesa, dando-nos a perceber que a prece os reunia mais fortemente entre si.
Terminada a oração, acerquei-me de Silva.
7-...observei-lhe, ...todo o busto, inclusive braços e mãos, sob vigorosa onda de força, a eriçar-lhe a pele, num fenômeno de doce excitação, como que “agradável calafrio”. Essa onda de força descansava sobre o plexo solar, onde se transformava em luminoso estímulo, que se estendia pelos nervos até o cérebro, do qual se derramava pela boca, em forma de palavras.
8-O jacto de forças mentais do irmão Clementino atuou sobre a organização psíquica de Silva, como a corrente dirigida para a lâmpada elétrica. Apoiando-se no plexo solar, elevou-se ao sistema neuro-cerebrino, como a energia elétrica da usina emissora que, atingindo a lâmpada, se espalha no filamento incandescente, produzindo o fenômeno da luz.
9— Cada vaso recebe de conformidade com a estrutura que lhe é própria.
10- Os mundos atuam uns sobre os outros pelas irradiações que despedem e as almas influenciam-se mutuamente, por intermédio dos agentes mentais que produzem.
11-Pensamentos de crueldade, revolta, tristeza, amor, compreensão, esperança ou alegria teriam natureza diferenciada, com característicos e pesos próprios, adensando a alma ou sutilizan¬do-a, além de lhe definirem as qualidades magnéticas... A onda mental possuiria determinados coeficientes de força na concentração silenciosa, no verbo exteriorizado ou na palavra escrita...
12-Vimos aqui o fenômeno da perfeita assimilação de correntes mentais que preside habitualmente a quase todos os fatos mediúnicos.
13-A emissão mental de Clementino, condensando-lhe o pensamento e a vontade, envolve Raul Silva em profusão de raios que lhe alcançam o campo interior, primeiramente pelos poros, que são miríades de antenas sobre as quais essa emissão adquire o aspecto de impressões fracas e indecisas. Essas impressões apoiam-se nos centros do corpo espiritual, que funcionam à guisa de condensadores, atingem, de imediato, os cabos do sistema nervoso, a desempenharem o papel de preciosas bobinas de indução, acumulando-se aí num átimo e reconstituindo-se, automaticamente, no cérebro, onde possuímos centenas de centros motores, semelhante a milagroso teclado de eletroímãs, ligados uns aos outros e em cujos fulcros dinâmicos se processam as ações e as reações mentais, que determinam vibrações criativas, através do pensamento ou da palavra, considerando-se o encéfalo como poderosa estação emissora e receptora e a boca por valioso alto-falante. Tais estímulos se expressam ainda pelo mecanismo das mãos e dos pés ou pelas impressões dos sentidos e dos órgãos, que trabalham na feição de guindastes e condutores, transformadores e analistas, sob o co¬mando direto da mente.
14-...o pensamento que nos é exclusivo flui incessantemente de nosso campo cerebral, tanto quanto as ondas magnéticas e caloríficas que nos são particulares, e usamo-lo normalmente, acionando os recursos de que dispomos.
15-Qualquer pessoa que saiba manejar a própria atenção observará a mudança, de vez que o nosso pensamento vibra em certo grau de freqüência, a concretizar-se em nossa maneira especial de expressão, no círculo dos hábitos e dos pontos de vista, dos modos e do estilo que nos são peculiares.
16- Basta, no entanto, nos afeiçoemos aos exercícios da meditação, ao estudo edificante e ao hábito de discernir para compreender¬mos onde se nos situa a faixa de pensamento, identificando com nitidez as correntes espirituais que passamos a assimilar.
17-...oração e vigilância para não cairmos nas sugestões do mal, porque a tentação é o fio de forças vivas a irradiar-se de nós, captando os elementos que lhe são semelhantes e tecendo, assim, ao redor de nossa alma, espessa rede de impulsos, por vezes irresistíveis.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

N.D.M. Capítulo 4 - Ante o Serviço

Neste capítulo, a reunião está prestes a iniciar.

4 Ante o Serviço - RESUMO

1-Dois enfermos, localizando-se num dos ângulos da sala, fora do círculo magnético.
2-Logo após, um colaborador de nosso plano franqueou acesso a numerosas entidades sofredoras e perturbadas, que se postaram, diante da assembléia, formando legião.
3-Dir-se-ia que se aglomeravam, em derredor dos amigos encarnados em prece, quais mariposas inconscientes, rodeando grande luz..
4-Vinham barulhentas, proferindo frases desconexas ou exclamações menos edificantes, entretanto, logo que atingidas pelas emanações espirituais do grupo, emudeciam de pronto, qual se fossem contidas por forças que elas próprias não conseguiam perceber.
5-São almas em turvação mental, que acompanham parentes, amigos ou desafetos às reuniões públicas da Instituição, e que se desligam deles quando os encarnados se deixam renovar pelas idéias salvadoras,
6...essas entidades vêem-se como que despejadas de casa, ...demoram-se no local das predicações, em ansiosa expectativa, famintas de maior esclarecimento.
7-Comumente, desencarna-se a alma, sem que se lhe desagarrem os pensamentos, ...continua encarcerada nos interesses quase sempre inferiores do mundo, cristalizada e enfermiça em paisagens inquietantes, criadas por ela mesma.
8-Todos os santuários, em seus atos públicos, estão repletos de almas necessitadas que a eles comparecem, sem o veículo denso, sequiosas de reconforto. Os expositores da boa palavra podem ser comparados a técnicos eletricistas, desligando “tomadas mentais”, através dos princípios libertadores que distribuem na esfera do pensamento.
9-Em razão disso, as entidades vampirizantes operam contra eles, muitas vezes envolvendo-lhes os ouvintes em fluidos entorpecentes, conduzindo esses últimos ao sono provocado, para que se lhes adie a renovação.
10-Reparei o conjunto, notando que alguns deles se mostravam enfermos, como se estivessem ainda na carne.
11-Membros lesados, mutilações, paralisias e ul¬cerações diversas eram perceptíveis a rápido olhar.
12-sobrevive no perispírito, ali¬mentada pelos pensamentos que a geraram, quando esses pensamentos persistem depois da morte do corpo físico.
13- A renovação mental é a renovação da vida.
14-A consciência é um núcleo de forças, em torno do qual gravitam os bens e os males gerados por ela mesma e, ali,
15-a morte é continuação da vida, e na vida, que é eterna, possuímos o que buscamos.
16-Se esse companheiro utilizar-se da organização mediúnica, transmitirá ao receptor humano as sensações de que se acha investido?
— Sim — ... refletirá no instrumento passivo as impressões que o possuem, nos processos de imanização em que se baseiam os serviços de intercâmbio.