terça-feira, 31 de março de 2009

NDM-Capítulo 7

Capítulo 7 - Socorro Espiritual

1-Sob a influência de Clementino, que o envolvia inteiramente, Silva levantara-se e dirigia-se ao co¬municante com bondade...

2-Ainda mesmo descontando o valioso concurso do mentor que o acompanhava, Raul emitia de si mesmo sincera compaixão de mistura com inequí¬voco interesse paternal.

3-Talvez por essa razão o obsessor a seu turno se revelava menos agastadiço.

4-Ante o argumento enunciado com sinceridade e simpleza, o renitente sofredor pareceu apaziguar-se ainda mais. Jactos de energia mental, partidos de Silva, alcançavam-no agora em cheio, no tórax, como a lhe buscarem o coração.

5-Essas três palavras foram pronunciadas com tamanha inflexão de generosidade fraternal que o hóspede não pôde sopitar o pranto que lhe subia do âmago.
Raul avançou para ele, impondo-lhe as mãos, das quais jorrava luminoso fluxo magnético, e con¬vidou:— Vamos orar!

6-Via-se, porém, com clareza, que não eram as palavras a força que o convencia, mas sim o sen¬timento irradiante com que eram estruturadas.

7-O irmão Clementino fez breve sinal a um dos assessores de nosso plano, que apressadamente acorreu, trazendo interessante peça que me pare¬ceu uma tela de gaze tenuíssima, com dispositivos especiais, medindo por inteiro um metro quadrado, aproximadamente.
O mentor espiritual da reunião manobrou pe¬quena chave num dos ângulos do aparelho e o tecido suave se cobriu de leve massa fluídica, bran¬quicenta e vibrátil.
Em seguida, postou-se novamente ao pé de Silva, que, controlado por ele, disse ao comunicante:

8-De imediato, como se tivesse a atenção com¬pulsoriamente atraída para a tela, o visitante fixou-a e, desde esse momento, vimos com assombro que o retângulo sensibilizado exibia variadas cenas de que o próprio Libório era o principal protago¬nista. Recebendo-as mentalmente, Raul Silva pas¬sou a descrevê-las:

9-Tão grande lhe surgiu a crise emotiva que o mentor espiritual do grupo se apressou a desligá-lo do equipamento mediúnico, entregando-o aos vigi¬lantes para que fosse conveniententente abrigado em organização próxima.

10-Que função desempenhava aquele retângulo que eu ainda não conhecia? que cenas eram aquelas que se haviam desdobrado céleres sob a nossa admiração?

11— Aquele aparelho — informou Áulus, gentil — é um “condensador ectoplásmico”. Tem a pro¬priedade de concentrar em si os raios de força projetados pelos componentes da reunião, reproduzindo as imagens que fluem do pensamento da entidade comunicante, não só para a nossa obser¬vação, mas também para a análise do doutrinador, que as recebe em seu campo intuitivo, agora auxi¬liado pelas energias magnéticas do nosso plano.

12-... precisamos concluir que o êxito do trabalho depende da colabo¬ração de todos os componentes do grupo...

13...as energias ectoplásmicas são fornecidas pelo conjunto dos companheiros encarnados, em favor de irmãos que ainda se encontram semimaterializa¬dos nas faixas vibratórias da experiência física.

14-...Pessoas que exteriorizem sentimentos menos dig¬nos, equivalentes a princípios envenenados nasci¬dos das viciações de variada espécie, perturbam enormemente as atividades dessa natureza, porquanto arrojam no condensador as sombras de que se fazem veículo, prejudicando a eficiência da as¬sembléia e impedindo a visão perfeita da tela por parte da entidade necessitada de compreensão e de luz.

terça-feira, 24 de março de 2009

NDM-Capítulo 6

1-Três guardas espirituais entraram na sala, conduzindo infeliz irmão ao socorro do grupo.
2-Era infortunado solteirão desencarnado que não guardava consciência da própria situação.
3-passou a vampirizar-lhe o corpo. A perda do veículo físico, ... deixou-o integralmente desarvorado, ... adaptando-se ao organismo da mulher amada que passou a obsidiar, nela encontrou novo instrumento de sensação, vendo por seus olhos, ouvindo por seus ouvidos, muitas vezes falando por sua boca e vitalizando-se com os ali¬mentos comuns por ela utilizados.... Para que se cure das fobias que presentemente a assaltam como reflexos da mente dele, ...é necessário o afastamento dos fluidos que a envolvem, assim como a coluna, abalada pelo abraço constringente da hera...
4- apli¬cou-lhe forças magnéticas sobre o córtex cerebral, depois de arrojar vários feixes de raios luminosos sobre extensa região da glote.
5-Eugênia-alma afastou-se do cor¬po, mantendo-se junto dele, a distância de alguns centímetros, enquanto que, amparado pelos amigos que o assistiam, o visitante sentava-se rente, inclinando-se sobre o equipamento mediúnico ao qual se justapunha, à maneira de alguém a debruçar-se numa janela.
6-Observei que leves fios brilhantes ligavam a fronte de Eugênia, desligada do veículo físico, ao cérebro da entidade comunicante.
7— É o fenômeno da psicofonia consciente ou trabalho dos médiuns falantes.
8 o hóspede enfermo do nosso plano permanece controlado por ela, a quem se imana pela corrente nervosa,
9-apossa-se ele temporariamente do órgão vocal de nossa amiga, apropriando-se de seu mundo sensó¬rio, conseguindo enxergar, ouvir e raciocinar com algum equilíbrio, por intermédio das energias dela, mas Eugênia comanda, firme, as rédeas da pró¬pria vontade,
10. Nas sessões de caridade, qual a que presenciamos, o primeiro socorrista é o médium que o recebe
11 o médium nunca se mantém a longa distância do corpo...
12— Se preciso, nossa amiga poderá retomar o próprio corpo num átimo. Acham-se ambos num consórcio momentâneo, em que o comunicante é a ação, mas no qual a médium personifica a vontade. Em todos os campos de trabalho, é natural que o superior seja responsável pela direção do inferior.
13-Vimos que Eugênia, fora do veículo denso, escutava todas as palavras que lhe fluíam da boca, transitoriamente ocupada pelo peregrino das som¬bras, arquivando-as, de maneira automática, no centro da memória.
14— O sofredor — disse o Assistente, convicto —, ao contato das forças nervosas da médium, revive os próprios sentidos e deslumbra-se. Queixa-se das cadeias que o prendem, cadeias essas que em cinqüenta por cem decorrem da contenção cautelosa de Eugênia.
15-— Um médium passivo, em tais circunstâncias, pode ser comparado à mesa de serviço cirúrgico, retendo o enfermo necessitado de concurso médico. Se o móvel especializado não possuísse firmeza e humildade, qualquer intervenção seria de todo impossível.
16— No caso de Eugênia, isso não acontece —elucidou Áulus, condescendente —, porque o esforço dela na preservação das próprias energias e o interesse na prestação de auxílio com todo o coeficiente de suas possibilidades não lhe permitem a necessária concentração mental para surpreender-lhe a forma exterior. Entretanto, reproduzem-se nela as aflições e os achaques do socorrido. Sen¬te-lhe a dor e a excitação, registrando-lhe o sofri¬mento e o mal-estar.
17— Mas... e se a dúvida a invadisse? —, emitiria da própria mente positiva recusa, expulsando o co¬municante e anulando preciosa oportunidade de serviço. A dúvida, nesse caso, seria congelante faixa de forças negativas...

NDM-Capítulo 5

1-Foquei os companheiros encarnados em concentração mental, identificando-os sob aspecto diferente.
Dessa vez, os veículos físicos apareciam quais se fossem correntes electromagnéticas em elevada tensão.
2-O sistema nervoso, os núcleos glandulares e os plexos emitiam luminescência particular. E, justapondo-se ao cérebro, a mente surgia como esfera de luz característica, oferecendo em cada companheiro determinado potencial de radiação.
3-Em qualquer estudo mediúnico, não podemos esquecer que a individualidade espiritual, na carne, mora na cidadela atômica do corpo, formado por recursos tomados de empréstimo ao ambiente do mundo. Sangue, encéfalo, nervos, ossos, pele e músculos representam materiais que se aglutinam entre si para a manifestação transitória da alma, na Terra, constituindo-lhe vestimenta temporária, segundo as condições em que a mente se acha.
4-O benfeitor espiritual que ora nos dirige, afigura-se-nos mais pesado porque amorteceu o elevado tom vibratório em que respira habitualmente, descendo à posição de Raul, tanto quanto lhe é possível, para benefício do trabalho começante. Influencia agora a vida cerebral do condutor da casa, à maneira dum musicista emérito manobrando, respeitoso, um violino de alto valor, do qual conhece a firmeza e a harmonia.
5-Notamos que a cabeça venerável de Clementino passou a emitir raios fulgurantes, ao mesmo tempo que o cérebro de Silva, sob os dedos do benfeitor, se nimbava de luminosidade intensa, embora diversa.
O mentor desencarnado levantou a voz como¬vente, suplicando a Bênção Divina com expressões que nos eram familiares, expressões essas que Silva transmitiu igualmente em alta voz, imprimindo-lhes diminutas variações.
6-Fios de luz brilhante ligavam os componentes da mesa, dando-nos a perceber que a prece os reunia mais fortemente entre si.
Terminada a oração, acerquei-me de Silva.
7-...observei-lhe, ...todo o busto, inclusive braços e mãos, sob vigorosa onda de força, a eriçar-lhe a pele, num fenômeno de doce excitação, como que “agradável calafrio”. Essa onda de força descansava sobre o plexo solar, onde se transformava em luminoso estímulo, que se estendia pelos nervos até o cérebro, do qual se derramava pela boca, em forma de palavras.
8-O jacto de forças mentais do irmão Clementino atuou sobre a organização psíquica de Silva, como a corrente dirigida para a lâmpada elétrica. Apoiando-se no plexo solar, elevou-se ao sistema neuro-cerebrino, como a energia elétrica da usina emissora que, atingindo a lâmpada, se espalha no filamento incandescente, produzindo o fenômeno da luz.
9— Cada vaso recebe de conformidade com a estrutura que lhe é própria.
10- Os mundos atuam uns sobre os outros pelas irradiações que despedem e as almas influenciam-se mutuamente, por intermédio dos agentes mentais que produzem.
11-Pensamentos de crueldade, revolta, tristeza, amor, compreensão, esperança ou alegria teriam natureza diferenciada, com característicos e pesos próprios, adensando a alma ou sutilizan¬do-a, além de lhe definirem as qualidades magnéticas... A onda mental possuiria determinados coeficientes de força na concentração silenciosa, no verbo exteriorizado ou na palavra escrita...
12-Vimos aqui o fenômeno da perfeita assimilação de correntes mentais que preside habitualmente a quase todos os fatos mediúnicos.
13-A emissão mental de Clementino, condensando-lhe o pensamento e a vontade, envolve Raul Silva em profusão de raios que lhe alcançam o campo interior, primeiramente pelos poros, que são miríades de antenas sobre as quais essa emissão adquire o aspecto de impressões fracas e indecisas. Essas impressões apoiam-se nos centros do corpo espiritual, que funcionam à guisa de condensadores, atingem, de imediato, os cabos do sistema nervoso, a desempenharem o papel de preciosas bobinas de indução, acumulando-se aí num átimo e reconstituindo-se, automaticamente, no cérebro, onde possuímos centenas de centros motores, semelhante a milagroso teclado de eletroímãs, ligados uns aos outros e em cujos fulcros dinâmicos se processam as ações e as reações mentais, que determinam vibrações criativas, através do pensamento ou da palavra, considerando-se o encéfalo como poderosa estação emissora e receptora e a boca por valioso alto-falante. Tais estímulos se expressam ainda pelo mecanismo das mãos e dos pés ou pelas impressões dos sentidos e dos órgãos, que trabalham na feição de guindastes e condutores, transformadores e analistas, sob o co¬mando direto da mente.
14-...o pensamento que nos é exclusivo flui incessantemente de nosso campo cerebral, tanto quanto as ondas magnéticas e caloríficas que nos são particulares, e usamo-lo normalmente, acionando os recursos de que dispomos.
15-Qualquer pessoa que saiba manejar a própria atenção observará a mudança, de vez que o nosso pensamento vibra em certo grau de freqüência, a concretizar-se em nossa maneira especial de expressão, no círculo dos hábitos e dos pontos de vista, dos modos e do estilo que nos são peculiares.
16- Basta, no entanto, nos afeiçoemos aos exercícios da meditação, ao estudo edificante e ao hábito de discernir para compreender¬mos onde se nos situa a faixa de pensamento, identificando com nitidez as correntes espirituais que passamos a assimilar.
17-...oração e vigilância para não cairmos nas sugestões do mal, porque a tentação é o fio de forças vivas a irradiar-se de nós, captando os elementos que lhe são semelhantes e tecendo, assim, ao redor de nossa alma, espessa rede de impulsos, por vezes irresistíveis.